Contribua com esse site enviando
fotos, links, artigos, perguntas,
sugestões, elogios, criticas e outros
pertinentes a etnomatemática
Rodrigo Guimarães Abreu
Claudio Lopes de Jesus
Nossos sonhos, Nossa realidade.
O grupo de Etnomatemática
da USP
por Helenalda Resende de Souza Nazareth
“Ninguém nasce do nada, tudo nasce do desejo, de um Outro, de onde fazemos outro e nos enganchamos lutando, contra, ou a favor dele. Em cima do desejo do outro, fantasiamos, resistimos, ficamos apaixonados!” Juliana Davini
Quem somos? Que grupo é esse que em sua heterogeneidade, caminha junto, mantendo cada um a sua identidade? Somos todos pessoas procurando caminhos para a Educação Matemática, enquanto investigação, pesquisa e prática pedagógica. Rompemos com paradigmas clássicos da educação, com todas as nossas diferenças, desde a nossa origem, crença religiosa, universidade freqüentada, curso terminado ou em andamento, idade, sexo, cor,... Contudo, temos um ponto de identidade: somos educadores/educadoras e procuramos a etnomatemática.
Transitamos por caminhos diversos. No trabalho trilhamos a educação matemática nos ensinos fundamental, médio ou superior, com o mesmo objetivo de aprender e promover a aprendizagem. Mantemos sempre algumas perguntas em nossa mente: quem é o nosso interlocutor; o que e como pensa? Como ele/ela adquiriu o conhecimento que traz; como lida com a matemática? Como será possível dialogarmos?
Pretendemos dialogar com o outro, respeitar seus conhecimentos e suas verdades, socializar os nossos conhecimentos e as nossas verdades, preocupados com a sociedade e com o seu/nosso crescimento enquanto pessoas.
Cada um, ao se aproximar do grupo trouxe seus sonhos, seus desejos, suas realidades. Cada um conhecia, de algum modo a íntima relação entre matemática e poder. Cultura, História, Sociologia, Antropologia, Psicologia, Filosofia numa relação com a Matemática? Como?
Dúvidas e mais dúvidas estão aliadas ao fogo do desejo de saber. Qualquer fogo mal controlado pode ser destruidor, mas com disciplina pode ser acalentador. Sabíamos que esse fogo do desejo de saber freqüentemente poderia nos aquecer de modo a permitir a ampliação de nosso conhecimento e a sua socialização com os educandos/parceiros, nossos interlocutores. Nosso fazer intelectual, otimizado pelo estudo – controle do fogo do desejo de saber - nos encaminharia para a pesquisa e/ou prática pedagógica mais frutífera e prazerosa.
O desejo de saber de cada um gerou e encaminhou o Grupo de Estudos e Pesquisa em Etnomatemática – GEPEm - na Faculdade de Educação da universidade de São Paulo. Leituras de livros, textos, dissertações de mestrado, enfim, novos conhecimentos nos trouxeram também ansiedade com a vontade de querer fazer mais e mais.
Ninguém nasce do nada, tudo nasce do desejo, de um Outro, de onde fazemos outro e nos enganchamos lutando, contra, ou a favor dele. Em cima do desejo do outro fantasiamos, resistimos, ficamos apaixonados! (...) defender-se pode ser vital, dosando o que dá para ouvir – conhecer - mudar e o que ainda não quero - posso mexer. Não dá para tudo mesmo. Um querer onipotente, sonhador, auto exigente, é fora da realidade de humanos que somos. Ir devagar conforme os passos que tem, ousando neles, já é muito trabalho.2
Foi ficando cada vez mais claro que, tanto os processos individuais - os caminhos por nós trilhados, pelos quais nos tornamos mais humanos - quanto as diferenças culturas dos grupos sociais/étnicos, devem ser considerados. Memórias perdidas, passado esquecido impedem o progresso.
Conhecer, reconhecer e respeitar o “outro”.
Olhar o olhar do “outro”.
Ampliar o meu conhecimento e o do “outro”.
Eis o caminho que nós, como educadores matemáticos e pesquisadores, pretendemos seguir, no Grupo de Etnomatemática.
[1] Madalena Freire usa o termo “fogo do desejo” – O Fogo do Educador – p.24, in “A prática Educativa em Questão” – Editora Espaço Pedagógico – 1997.
[2] Juliana Davini, in “Desejo, depois da paixão” – “A Prática Educativa em Questão” – Editora Espaço Pedagógico – 1997.